Longe vai o tempo em que os Romanos introduziram o cultivo da vinha e fomentaram o desenvolvimento da viticultura e da vinificação nos territórios mais a norte do nosso país, trazendo novas castas, novos conhecimentos e toda uma nova cultura à volta do vinho.
Desde há milénios que, anos após ano, por volta do equinócio de outono, os nossos povos celebram as festas das colheitas, todas elas de grande relevância. Uma destas festividades, porém, adquiriu um estatuto tão especial que até lhe atribuímos um nome específico: a Vindima.
A vindima é uma época de grande azáfama, mas também de grande alegria, desde o tempo dos romanos, em que se pisavam as uvas em lagares de granito rudimentares, até aos tempos de hoje em que os vinhos fermentam em inox com controlo de temperatura. A colheita deste fruto tão peculiar nunca deixou de ser celebrada pelos agricultores e povos das nossas terras. A preparação da vindima é o culminar de meses de trabalho árduo e dedicado. Com efeito, é necessário podar, tratar e planear para que tudo possa acontecer da melhor forma e para que todos possamos, mais uma vez, brindar e partilhar bons momentos com o resultado de cada ano de esforço e preocupações.
Em 2025, tal como em anos anteriores, na Quinta da Raza o plano era começar a vindima no exato momento em que as uvas estivessem num perfeito estado de maturação. Comparativamente a 2024, o ano vitícola começou ligeiramente mais tarde, mas uma quantidade anormal de dias com temperaturas a rondar os 40ºC, fizeram com que as uvas alcançassem o estado desejado de maturação por volta do dia 21 de agosto. Os taninos e os aromas das uvas estavam já no ponto ideal, a acidez média das uvas estava ligeiramente mais baixa que no ano anterior, mas com um bom equilíbrio em relação aos açúcares; em suma, não havia tempo a perder, estava na hora!
Soado o alarme, a vindima começou pela casta Trajadura; seguimos depois para a casta Alvarinho, das encostas com maior exposição solar e, demos continuidade com a casta Gouveio. As restantes castas foram sendo vindimadas de acordo com a maturação de cada uma das vinhas, finalizando com a colheita da casta Espadeiro da vinha da Bouça Fria, a mais tardia devido ao seu ciclo vegetativo mais longo.

O estado sanitário das uvas era perfeito, e mesmo depois de um curto período de chuvas no início de setembro, não houve alterações significativas na qualidade das uvas, o que faz antever uma colheita de grande qualidade e com características e tipicidade idênticas à colheita de 2024.
No final, entusiasmados com o culminar de mais uma etapa, e apesar de cansados de vários dias de trabalho em que a adrenalina do momento quase nem nos deixava dormir, não podia ter faltado a reunião da equipa à mesa de jantar. A sopa de couves, os rojões e o pão-de-ló da D. Rosa, bem regados com o vinho da Quinta da Raza, foram o culminar perfeito do extenuante, mas muito gratificante trabalho que é este o de criar vinho, para que possamos partilhar um pouco da nossa cultura e proporcionar aos nossos clientes e amigos, grandes momentos de confraternização e partilha, tal como outros fizeram há milénios.
Os vinhos brancos desta colheita destacam-se pela acidez firme e sabor equilibrado, com notas que lembram frutas brancas e citrinos. Os tintos revelam elegância, frescura e autenticidade, refletindo o verdadeiro carácter da nossa região. Já os rosés encantam pela cor rosa-coral, pelos aromas delicados de frutos vermelhos e um paladar refrescante — a perfeita expressão do verão num copo.
A todos vós que esperam ansiosamente por cada nova colheita dos vinhos da Quinta da Raza, o nosso muito obrigado!!