Não faltam livros ou páginas de internet a atribuir a autoria do famoso espumante ao monge beneditino francês Dom Pérignon (1638-1715), mestre da adega do mosteiro de Hautvilliers, em plena região de Champagne. Reza a lenda que Dom Pierre Pérignon, após abrir uma das suas garrafas que tinha passado por uma segunda fermentação, e ao sentir as suas famosas bolhinhas, terá exclamado para os outros monges: “Venham rápido, estou a beber estrelas”.
Na verdade, é hoje sabido não se dever ao monge francês a “invenção” do Espumante, pese embora o seu papel fundamental na compreensão do processo de fermentação, numa altura em que as referidas bolhas eram entendidas como um defeito, vindo a representar, como é sabido, uma das características mais celebradas e singulares dos vinhos espumantes.
Assinala-se que já na primeira metade do século XVI já se produziam espumantes em Limoux, na região de Languedoc, também a cargo de monges, vinhos esses que eram então exportados para Inglaterra. Neste transporte, fosse pela presença de algum açúcar residual, fosse pelo refinamento dos vinhos com açúcar e especiarias, tinha lugar, assim ocorresse uma subida da temperatura, uma segunda fermentação em garrafa (nesta altura, neste comércio para Inglaterra, já eram empregues garrafas de vidro), originando a libertação de dióxido de carbono e das apreciadas borbulhas.
Curiosamente, apesar de tanta ligação a monges e mosteiros, o espumante chegou a ser conhecido, ao longo dos séculos XVII e XVIII, como o ‘vin diable’ (vinho do diabo). A qualidade das garrafas de vidro deixava então muito a desejar e, não raras vezes, não conseguiam suportar a pressão e estouravam levando a grandes perdas. Por outro lado, estava-se ainda de longe de conhecer em detalhe como funcionava a segunda fermentação em garrafa. As dosagens de açúcar nem sempre eram as mais indicadas conduzindo a resultados indesejados. Estejamos assim gratos a Louis Pasteur que, já no século XIX, compreendeu o processo químico da fermentação do vinho, sendo possível realizar com sucesso a referida segunda fermentação em garrafa.
Este método para a elaboração de espumante é precisamente conhecido como o Méthode Champenoise ou tradicional e compreende várias etapas – vinho base, tiragem, segunda fermentação, autólise, remuage, dégorgement e dosagem – e diferencia-se do Método Charmat (segunda fermentação em tanques de aço ou inox), pelo seu carácter mais artesanal, mais lento e dispendioso, mas também favorecendo a criação de produtos mais complexos e estruturados.
É precisamente o método tradicional que praticamos nos espumantes da Quinta da Raza. E, na verdade, a nossa família de vinhos espumante cresceu recentemente com a inclusão de mais dois membros – o Quinta da Raza Espumante Branco Bruto 2021 e o Quinta da Raza Espumante Tinto Bruto Natural 2023 – que vieram juntar-se ao já conhecido Quinta da Raza Espumante Branco Bruto Natural.
No Quinta da Raza Espumante Branco Bruto 2021 voltamos a encontrar as castas Alvarinho (45%), Avesso (45%) e Arinto (10%), prensadas a baixa pressão, ao que seguiu uma fermentação a temperatura controladas em cubas de inox. Posteriormente, teve lugar a fermentação em garrafa com leveduras livres e um estágio de 24 meses. O resultado foi um vinho elegante, com bolha fina e persistente, com um final de boca envolvente e refrescante, ideal como aperitivo, mas também para acompanhar leitão, peixes gordos e marcar presença em qualquer ocasião festiva.

Quanto ao Quinta da Raza Espumante Tinto Bruto Natural 2023, apresenta-se como um produto verdadeiramente diferenciador, desde logo pela circunstância de se tratar de um tinto, num segmento particularmente dominado pelos brancos. O vinho base deste espumante tinto provém da vinha mais antiga da propriedade – Vinha de Cerdeiredo – autêntico repositório de castas tintas antigas recomendadas da Região dos Vinhos Verdes, entre os quais Vinhão, Padeiro, Espadeiro, Rabo d’Ovelha, Borraçal, Touriga Nacional e Azal Tinto. Nos nossos lagares de granitos centenários – datados de 1922 – ocorre a primeira fermentação, seguindo-se a segunda fermentação em garrafa igualmente com leveduras livres e um estágio de 12 meses. O resultado surpreendeu até os mais otimistas, dando origem a um espumante de bolha fina e persistente, com final de boca seco (Bruto Natural), envolvente e refrescante, acompanhando na perfeição alguns pratos típicos da gastronomia regional, mas não só, como arroz de cabidela, rojões, peixes gordos (como a famosa lampreia), ou mesmo leitão.
Se lhe despertamos a curiosidade, porque não experimentar um ou mesmo os dois novos espumantes da família Quinta da Raza? Não hesite e venha visitar-nos e, se for o caso, conhecer a nossa elegante loja de vinhos! Se não tiver essa possibilidade, navegue até à nossa loja online e faça a sua encomenda. Faremos chegar os vinhos até à comodidade do seu lar. Não há más alturas para provar um refrescante espumante!