A geologia e os solos de Celorico de Basto – com óbvio destaque para a Quinta da Raza – em locais como Outeiro, Raza, Lamelas, Cascalho, Agrelo e Gagos, definem a identidade única e o nível de qualidade dos nossos vinhos.
Esta região molda o perfil das castas locais através de uma forte ligação entre o solo, o clima e o Homem.
Cada tipo de solo, a sua morfologia, orientação e altitude, tem uma influência distinta em cada uma das castas e deste modo no que mais nos interessa: os vinhos!
Solos graníticos favorecem vinhos frescos, vibrantes e minerais, com acidez viva e boa definição aromática.
Áreas de xisto com presença de argila contribuem para maior estrutura, volume de boca e capacidade de maturação, acrescentando profundidade, complexidade e um perfil mineral mais intenso.
As encostas suaves e influência do rio Tâmega ajudam a moderar as temperaturas e a preservar a frescura natural das uvas.
De uma forma mais técnica, aqui fica uma apresentação da composição dos solos das várias vinhas da Quinta da Raza, nomeadamente: Outeiro e Raza; Lamelas; Cascalho e Agrelo e Gagos.
Todas estas áreas estão abrangidas pela Folha 10-A (Celorico de Basto) na escala 1:50000 da Carta Geológica de Portugal. Ao nível pedológico a fonte está relacionada com dados obtidos a partir da Carta dos Solos e da Carta da Aptidão Agro-Florestal da Terra à escala 1:100000.
Outeiro e Raza
Para uma melhor interpretação geológica e pedológica, esta mancha será dividida nas seguintes áreas de vinha: Outeiro a Peneireiros; Tapada dos Barros, Bouça Fria, Raza de Cima e de Baixo, Tapada da Troca e por fim, Sargento, Tapada da Eira, Pombeiros e Além.
Vinhas de Outeiro, Calçadas, Moinho e Peneireiros
De acordo com a folha 10-A da carta geológica de Portugal esta área de vinha, localiza-se sobre a Unidade de Vila Nune (UV), nomeadamente sobre xistos superiores, essencialmente pelíticos ou compostos por alternâncias centimétricas de xisto oxidados castanho-avermelhados e metassiltitos ou metarenitos. É de referir a existência de filões de quartzo. Relativamente aos aspetos pedológicos, nestas vinhas ocorre uma predominância de Antrossolo Cumúlico Districo (ATcd.x), de materiais de xistos e rochas afins.
Nesta mancha também são dominantes os solos Cambissolos húmico-úmbricos pardacentos de materiais de xisto e rochas afins (CMup.X).
Vinhas Tapada do Barros, Bouça Fria, Raza de Cima e de Baixo e Tapada da Troca
De acordo com a folha 10-A da carta geológica de Portugal esta área de vinha, localiza-se sobre a UV, nomeadamente sobre xistos superiores, essencialmente pelíticos ou compostos por alternâncias centimétricas de xisto oxidados castanho-avermelhados e metassiltitos ou metarenitos. Também aqui ocorrem filões de quartzo..
Em relação o solo as vinhas estão inseridas nas seguintes unidades pedológicas: leptossolos úmbricos em xistos e rochas afins (LPu.x) e Regossolos úmbricos delgados em xisto e rochas afins (RGul.x).
Sargento, Tapada da Eira, Pombeiros e Além
De acordo com a folha 10-A da carta geológica de Portugal esta área de vinha, localiza-se sobre a UV, nomeadamente sobre xistos superiores, essencialmente pelíticos ou compostos por alternâncias centimétricas de xisto oxidados castanho-avermelhados e metassiltitos ou metarenitos. É de salientar que a vinha de Além está próxima de um tufo vulcânico ácido e intermédio, por vezes presentes na UV. No campo pedológico, predomina um Antrossolo Cumúlico Districo (ATcd.x), de materiais de xistos e rochas afins

Lamelas
De acordo com a folha 10-A da carta geológica de Portugal, a vinha das Lamelas esta inserida na UV, sobre xistos superiores, essencialmente pelíticos ou compostos por alternâncias centimétricas de xisto oxidados castanho-avermelhados e metassiltitos ou metarenitos, bem como sobre um tufo vulcânico intermédio a básico skarnificados. A mancha inferior poderá ter influência de um tufo vulcânico ácido e intermédio. Em relação as suas caraterísticas pedológicas, estamos na presença de duas unidades dominantes: Antrossolo Cumúlico Districo (ATcd.x), de materiais de xistos e rochas afins e Leptossolos úmbricos em xistos e rochas afins.
Cascalho e Agrelo
Ao nível geológico devemos distinguir as duas manchas de vinha, ambas inseridas na UV. A vinha do Cascalho, está sobre xistos superiores, essencialmente pelíticos ou compostos por alternâncias centimétricas de xisto oxidados castanho-avermelhados e metassiltitos ou metarenitos. É de destacar a existência de um filão de quartzo. Em relação à vinha do Agrelo, esta zona evidencia a presença de um tufo vulcânico ácidos e intermédios, formando massas lenticulares alongadas, por vezes com extensões que ultrapassam os 2 km.
Relativamente aos aspetos pedológicos, através da Carta dos Solos de Entre-Douro e Minho (1:25000 (DRAEDM-1995), Podemos compreender que ambas as vinhas estão situadas numa área com predominância de Antrossolo Cumúlico Districo (ATcd.x), de materiais de xistos e rochas afins.
Gagos
Segundo a carta geológica de Portugal – folha 10-A, a vinha de Gagos está localizada sobre granito porfiroide de grão grosseiro, com 2 micas, essencialmente biotítico, denominado Granito de Amarante e de Celorico de Basto. O solo desta vinha é descrito, segundo a carta de solos, numa mancha de antrossolo cumúlico dístrico de granitos e rochas afins (ATcd.g) , e também regossolo dístrico órtico de granitos e rochas afins (Rgdo.g).
Se conseguiram ler até aqui, parabéns! São verdadeiros aficionados; pois se é importante que os nossos vinhos favoritos sejam de excelente qualidade, também é igualmente importante percebermos que a singularidade e variedade dos solos que atravessam a Quinta da Raza contribuem de sobremaneira para isso.
Saúde!!